quarta-feira, 4 de dezembro de 2013

Realmente preciso saber desaparecer nos momentos incertos, não há outra saída, a vida quando queremos é mais complicada do que morar sozinha em uma metrópole onde a cada semana têm um peixo no aquário da sala. Estou numa fase onde até um piano velho ocupa a sala, minha vida não anda aquelas coisas, normal para uma mineira que tenta ter uma vida em São Paulo.
Moro no décimo terceiro andar, ironia do destino talvez, meu apartamento é desproporcional, onde a sala é meu escritório com televisão e meu quarto é o guarda roupa, não tente me entender, todas as vezes que meus pais vêm do interior para cá escuto as mesmas coisas, arrumar minha coleção de livros e fazer novas amizades. Desde pequena não sou muito sociável, só tive uma amiga de verdade até hoje, e vou contar, para essa amizade começar a Heloísa teve que ter muita paciência, eu assumo, sou a pessoa mais chata e nojenta do mundo, na cafeteria meu capuccino é sem espuma, no fast food não pode ter pão com gingerlim, e a pizza sem tomate. Mas hoje Heloísa e eu não nos vimos muito ela mora em San Francisco, na Califórnia, praia, sol e um trabalho perfeito numa revista de moda para adolescentes americanas, porque as brasileiras, bem, sem comentários, há dois anos fui visitá-la, juntei os meus doze primeiros salários e consegui comprar uma passagem de ida e outra de volta, o resto eu me virava para lá, tirei passaporte, visto e tudo o que os americanos "frescurentos" exigem, mas vou falar eles têm as melhores lojas do universo, pena que para uma auxiliar administrativa são apenas lojas bonitas e não lojas para consumo bonitas. Vou confessar, foi o melhor mês da minha vida, senti a liberdade exalando dos pés à cabeça, e ter minha melhor amiga perto, nossa, foi maravilhoso, não é legal contar desabafos e piadas sem graças pelo skype, a graça sempre chega depois.
Passei dezoito anos da vida numa cidade chamada Pouso Alto em Minas Gerais, deve ter uns mil habitantes e cinquenta milhões e animais pelas ruas, meus pais têm um comercio de alimentos, e eu sempre fui uma adolescente sonhadora onde o maior desejo era fazer faculdade na chamada "cidade grande" e por lá ficar vivendo uma vida de novela. Pois então, fazem quatro anos que moro em São Paulo, terminei a faculdade este ano, moro em um apartamento bem pequeno, onde misturei os cômodos para ver se aumenta, tenho um peixe por semana e trabalho na Avenida Paulista. Sou uma escritora defensora da liberdade que é o sinônimo do lugar que vivo, andorinhas são as coisas mais lindas da vida e o jeito que elas voam me encanta, tenho uma tatuada no pulso e um pircing no nariz, que para trabalhar num escritório não é nada convencional, número treze me dá sorte, até o dia que esbarrei com meu quase noivo na estação de metrô. Quase noivo porque o Helder ainda não disse: Maria Olívia se case comigo, sou à moda antiga, e meu namorado é advogado formado na PUC, sem me gabar mas pra quem achou que minha vida em São Paulo seria um antônimo de liberdade, se enganou, me sinto livre, e essa será a próxima tatuagem na nuca.
Não sou fã de chichês, e muito menos de filmes de terror, sinto que minha vida é uma comédia romântica eterna, e se você sonha com algo assim, seja também uma Maria e pule do precipício chamado liberdade.
Lari F

0 comentários:

A Blogueira

A Blogueira
Estudante de jornalismo,20 anos.Tenho uma paixão por romances, Paris, cor de rosa e morangos. Gosto de dias nublados e arranha-céus ... Apenas leia meus sonhos líricos.

Visitas

Instagram

Curta no Facebook

Twitter

Followers

Translate

Larissa Figueira. Tecnologia do Blogger.

Postagens mais visitadas