quinta-feira, 22 de novembro de 2012
Lá estava eu, naquele leito que chamam de caixão, para mim parecia uma caixa onde tudo se revelasse verdadeiramente, percebi que minha história não parecia interessante, cartas que recebia mera ilusão, tudo escuro, mas meu caro, parece que quando estamos mortos nossa vida passa a ter um real sentido.
Percebi que recebia certas cartas para enxergar além da vida mas nunca percebi, olho agora, deitada ao meu redor que nada foi o que pareceu ser, um mundo diferente eu estou vivendo neste momento, parece que estou cercada por estranhos, não aqueles que passei toda a minha vidinha que achava que foi de aventura, só quem já passou pela vida para saber que existe outra parte do seu ser, um outro cosmo, um outro você.
Para mim neste instante de reconhecimento a alma, por estar neste Mundo, tem o conhecimento de tudo, não é nada surreal nem de outro planeta, tudo o que eu lia, agora faz sentido.
Não estou apenas contando o que realmente vejo da vida por aqui mas comprovando que desde que penso, logo existo. Meu caro, minha vida já começou com dilemas, não tive mãe pois ela morreu em quando me dava a luz, já meu pai, um pobre coitado passou sua vida toda trabalhando e agora vejo, nunca dei o valor que ele realmente merecia. Percebo que era uma pessoa perversa, culpando-o pelo meu passado obscuro onde nunca vivia em sociedade, uma jovem egoísta, individualista, maldosa. Estou eternamente condenada guardando um segredo, aquele que foi consequência de ter de ficar à vida eterna.
Colegial, 1998, Olívia Moroe, colégio presbiteriano, sim mudanças, época de histórias, decidir minha vida, ver se alguém poderia ter o prazer de me dizer um bom dia, queria história, lutava por amigos. Spencer, Aria, Hannah, Alisson, esquisitas como eu, mas guardavam um mistério, passei a perceber que poderia ter novas amizades, na noite da festa de boas vindas aos novatos as conheci e logo reparei que Alisson mantinha o grupo, não era ruim mais possessivo, não fazia muita diferença para mim.
O colégio, ao entrar percebi que era uma fusão de dois mundos, os populares, a beleza e a bondade, e os esquisitos onde a maldade predomina, parece estranho, mas só quem já viveu o colegial poderá perceber seu real significado. Parece que dois cosmos são separados e estava no meio sem saber para onde ir. Aria me chamou ela era a que mais se parecia comigo, fomos conversar seus ideais eram como ela, obscuros e atrás dela existiam revelações fortes que ela jamais contaria a alguém.
Anos se passaram e o ultimo ano sempre dizem que é a parte de revelações sobre a vida, e o meu, foi exatamente assim, na verdade o meu fim.
Julho de 2000, o Senior Year, começava, eu, Spencer, Alisson, Aria e Hannah, estávamos inseparáveis, amigas um time, irmãs, até meu pai se surpreendeu com minha rápida mudança, mas sempre disse que minha bondade natural se tornou rancor, já que estava enxergando a vida de outra maneira, um pouco mais madura.
Tudo estava bem, mas algo de errado, muito errado estava acontecendo. 06/12/2000, certo assassinato em uma pequena festa de ação de graças, numa fazenda no norte da cidade, uma garota de mais ou menos 17 anos está morta misteriosamente. Meu caro, as vezes a vida nos prega peças e percebemos que a imortalidade pode ser somente coisas de filmes, estou aqui presa sem poder me mexer apenas enxergando a vida como ela realmente é, sem saber quem me pregou uma armadilha, para mim existia somente céu e terra. Quem me fez isso não pensou em consequências e nem como eu estaria a frente de meus ideais religiosos, para ele o orgulho é a fonte de todas as fraquezas, por que é a fonte de todos os vícios. Nada realmente é mais triste do que a morte, tudo parece difícil na vida, mas quando chegamos ao ultimo estagio, percebemos que não precisaríamos mudar, apenas repensar atitudes, não é tanto o que fazemos, mas o motivo pelo qual fazemos que determina a bondade ou a malícia.
Naquela noite eu estava recebendo ameaças no celular, mas não ligava, poderia ser brincadeira de mau gosto, me distanciei um pouco de Aria, Spencer e Hannah, para tomar um ar, estava abafado, mas a fazenda era grande e não ouvia mais o barulho da festa, até que então ouço alguém chamar meu nome bem de longe, fui seguindo a voz que se aproximava cada vez mais, parecia meu pai ou alguém que era semelhante à ele. Meu pai sempre foi muito religioso me contava histórias sobre Deus, Jesus Cristo e Santos, sempre me dizia que eu  era uma pessoa muito orgulhosa e depois de todas suas histórias me deixava uma frase para refletir, uma eu nunca esqueci era “O orgulho é a fonte de todas as fraquezas, por que é a fonte de todos os vícios.” de um Santo chamado Agostinho, pois então era um velhinho trabalhador como ele, chegou até mim dizendo que meu fim não precisava ser assim e que Deus ainda tinha uma resposta para meu rancor, que nada para ele era em vão, mas dei as costas, não sei agora se foi para ele ou para Deus, pois os se faziam imagem e semelhança. Eu estava perdida e isso não era novidade, comecei a me assustar pois ouvia alguém gritando em minha cabeça, parecia um aviso ou sei lá, comecei a entrar em desespero parecia que alguém estava gostando de me ver lá, minha cabeça estava confusa cheia de pessoas falando, coisas boas e ruins, fiquei com medo muito medo, pela primeira vez em minha vida o medo tomou conta de mim, jamais imaginei que seria fraca.
Minha única saída era me redimir, jamais! Mantinha meu pensamento que o indivíduo se converte em um ser egoísta e individualista, convertendo sua bondade natural, gradualmente, em maldade, a partir do momento em que minha mãe me deixou com meu pai e que ficamos sem chão e sem rumo tendo que se recompor, ela sim era um ser sem piedade. Por um momento parei de correr sentei e refleti, em que me tornei, não quero ser imagem e semelhança da mulher que me deu e vida e depois de deixou, recorri aos meus pensamentos gritantes, realmente não imaginava o que fazer em uma floresta escura, sem ninguém apenas eu, toda minha vida veio em minha cabeça, e comecei a refletir que eu não poderia ter me perdido assim, alguém fez  isso comigo, mas quem ? Eis a questão, poderia ser meu último momento de dizer que me arrependo, mas meu orgulho fala mais alto que a razão.
A partir do momento que me ajoelhei, não me lembro apenas vi um clarão, e depois disto aqui estou, minha vida se tornou um mistério, mal sei porque ainda estou aqui, mas se estou aqui é porque penso logo existo. Estou aqui, deitada sem poder me expressar apenas observando os que estão à minha volta, parece que são desconhecidos agora, na verdade, são poucos, pois jamais me entrosei aonde passava, nunca fui de fazer amigos, muito menos namorar.
Fico observando como minha vida era, um desgosto para meu pai, não fiz nada, apenas vivi rancorosamente, acabei não sendo totalmente feliz, apenas revoltada com uma mulher que mal conheci e me abandonou, me senti, odiada pela própria mãe e acabei me tornando como ela, o que eu fiz de minha vida ? Mas agora gostaria de entender quem me odiara tanto para ter a capacidade de tirar minha vida, mas é complicado, velório todos ficam tristes, mas como meu pai dizia, os que mais choram, são os que mais guardam culpa, mas será? Não consigo entender, meu pais está quieto no seu canto apenas olhando para mim aqui deitada, é estranho mas ele é o único que sempre se dedicou a mim e nunca dei o devido valor ao seu trabalho, sem o menosprezava e o exigia mais,peço perdão meu pai, é somente à ele que devo perdão por nunca ter o escutado e ter me tornado essa pessoa tão maldosa.  
Estava quase no fim da minha existência quando Aria, Hannah e Spencer entram, chorando aos prantos será mesmo que diziam minha amigas?Eis minha questão, fico meio apreensiva ao dizer que nunca fiquei totalmente segura com minhas amigas do colegial, elas sempre me deixaram de lado para alguns assuntos, será inveja ? Mas nunca fui mais do que elas, jamais sempre fui a esquisita .
Aria estava com um olhar esquisito misterioso, será ela ? Minha duvida se passou a partir do momento que ela sussurrou em meu ouvido, foi tarde, querida! Mas Aria ? Porque o que fiz ? em todos os lugares que passei, sim agora vejo o quão ignorante fui , menosprezar e julgar Aria por motivos errados, não deveria ter feito mal a ela e dizer absurdos em momentos errados, apesar de que nunca ninguém duvidará de minha morte.
Isso já não importava minha existência estava no fim, mas pelo menos questionei toda minha vida, e renunciei todos meus erros, presenciei o quão ignorante fui para chegar ao ponto de me tirarem a vida, agora serei eu e minha vida eterna aonde quer que for, serei apenas alma e pensamento, adeus. 

Lari F

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Estudante de jornalismo,20 anos.Tenho uma paixão por romances, Paris, cor de rosa e morangos. Gosto de dias nublados e arranha-céus ... Apenas leia meus sonhos líricos.

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